APB

cartão apb

A Associação Psicodélica do Brasil (APB) foi criada em 2015 por um grupo de usuários(as), profissionais, ativistas e pesquisadores(as) com interesse nos saberes, práticas e políticas que influem na experiência de usuários(as) e não-usuários(as) de substâncias psicodélicas.

O que são substâncias psicodélicas?

O termo psychedelic foi cunhado em 1957 pelo psiquiatra Humphry Osmond para nomear um grupo de substâncias psicoativas, no qual se incluem os cogumelos com psilocibina, cactos com mescalina, a Salvia divinorum, a ayahuasca (daime), o LSD, haxixe, etc. O termo psicodélico significa “o que torna a mente manifesta”, tendo se disseminado a partir dos anos 1960, associado ao movimento hippie e à contracultura underground. Fato menos conhecido é que, antes da proibição do LSD, mais de 1000 pesquisas foram realizadas com a substância, indicando enorme potencial para usos diversos (terapêuticos, espirituais, científicos, etc.), apesar da grande intensidade e imprevisibilidade dos efeitos psicológicos experimentados. Documentos históricos evidenciam ser milenar o saber de que a qualidade das experiências psicodélicas depende não apenas de características das substâncias (o phármakon é sempre ambíguo, em seu poder de tratar e envenenar), como também do indivíduo e do contexto de uso. No contemporâneo, estamos experimentando tanto a falência do paradigma da guerra às drogas, quanto de quaisquer perspectivas reducionistas em relação ao tema. A recente enxurrada mundial de pesquisas com psicodélicos é a ponta do iceberg de experimentações estético-políticas nos modos de perceber e transformar a realidade.

O nascimento da APB

A APB veio à luz em 2015, a partir de ações desenvolvidas desde o ano anterior por um grupo de usuários, profissionais, ativistas e pesquisadores. Em 2014, dois psicólogos que participavam da Frente Estadual de Drogas e Direitos Humanos do Rio de Janeiro e nutriam afinidade com a experiência psicodélica organizaram uma oficina sobre Psicodélicos e Redução de Danos na Casa Nuvem (Lapa – RJ), despertando grande interesse e atraindo novas parcerias. No mesmo ano, com um primeiro núcleo ganhando forma, ocorreu a primeira versão da Ala Psicodélica na Marcha da Maconha do Rio de Janeiro (inspirada na de São Paulo, organizada no ano anterior). Em novembro de 2014, foi realizado o 1º Seminário sobre Psicodélicos do Rio de Janeiro, no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), quando foi apontada a urgência de se organizar um coletivo para ampliar o escopo das ações que vinham sendo realizadas. Em 2015, começamos a organizar os encontros e nos batizamos Associação Psicodélica do Brasil.

Nossa filosofia

Queremos fomentar a ética, a cultura de paz, a cidadania, os direitos humanos, a democracia e a autonomia sobre o próprio corpo e estado de consciência e, para tanto, defendemos uma política de drogas antiproibicionista, pró-regulação e pró-redução de riscos e danos. Em sintonia com os princípios da liberdade cognitiva, defendemos o direito à gestão autônoma sobre as diversas modalidades de usos de psicodélicos (o que inclui o direito a não usar), como usos espirituais, terapêuticos, para estimular a empatia, a criatividade, o prazer, a especulação filosófica e científica, etc., desde que guardados os devidos cuidados para que sejam evitados danos a si e a terceiros.

Nossos objetivos e estratégias

No que diz respeito às pessoas que fazem uso de psicodélicos, buscamos fomentar redes de compartilhamento de informações e experiências, através da criação de grupos. No intuito de desenvolver tecnologias de cuidado em saúde mental, buscamos pesquisar temas ligados direta ou indiretamente à questão dos psicodélicos, sua história, seus benefícios e riscos potenciais, assim como as experiências, o perfil dos usuários e os cuidados associados a seu uso, assim como promover ações de educação e saúde, por meio de cursos, palestras, seminários e práticas integrativas. Visando disseminar a informação produzida a partir do cruzamento do conhecimento científico com os saberes de usuários e usuárias, temos o intuito de provocar o debate público e promover ações políticas em favor da regulamentação dos usos de tais substâncias, em respeito aos direitos humanos em geral e à liberdade cognitiva em particular. É preciso atrair a atenção da sociedade para aspectos dos usos e políticas de drogas imperceptíveis na atual conjuntura proibicionista, quando o tema ainda é tratado como tabu e cercado de preconceitos, estigmas e desinformação mesmo em grande parte dos cursos de formação superior em saúde. Entrar nessa luta foi o que nos motivou a criar a APB.

O que temos realizado desde então

Desde o início, a APB manteve a tradição anual de organização das Alas Psicodélicas da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, assim como o estímulo e apoio à formação de alas psicodélicas nas diversas marchas da maconha pelo país. Em 2015, com o auxílio de recursos de um edital do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), foi produzida a cartilha Psicodélicos e Direitos Humanos, distribuída gratuitamente em ações diversas. Em 2016, a APB passou a integrar a Plataforma Brasileira Política de Drogas, rede de entidades, coletivos e especialistas dedicada a promover a reforma da política de drogas. Em 2017, a APB iniciou o projeto Brisa, voltado a ações de redução de danos em eventos/festas, através de distribuição de material informativo, realização de rodas de conversa, palestras, debates, serviços de testagem de substâncias e acolhimento de pessoas em crises associadas ao uso de drogas. Em 2018, estamos em busca de espaço para acolher grupos voltados à troca de experiências, à produção e disseminação de conhecimento sobre interações farmacológicas, fatores psicossociais da dependência química, usos religiosos, perspectivas clínicas, arte e cultura psicodélicas, acesso à informação e serviços de saúde, questões sócio-econômicas, culturais, de gênero, raça, questões jurídicas e políticas de drogas e saúde mental no país e no mundo.

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ATENÇÃO: O presente site em medida alguma estimula ou apoia práticas ilícitas. Ao contrário, visa fornecer informações e oferecer uma rede de cuidado, apoio e referência, tanto para reduzir riscos e danos provocados pelo consumo descontrolado de substâncias que se encontram não-regulamentadas no contexto proibicionista, quanto para pensar políticas de saúde que respeitem a autonomia e os direitos humanos.

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